O Adoecer: quando realmente somos sinceros

img6corpoA doença nos coloca de frente com nossa própria fragilidade, com nossa finitude.  Entrar em contato com essas questões nos causa inquietação, angústia e medo. Vivemos adiando, procrastinando e agindo como se fôssemos viver para sempre. Bem, não vamos. Todos nós sabemos que um dia partiremos e que em algum momento perderemos alguém que amamos, mas evitamos pensar sobre o assunto.

Ao descobrir o diagnóstico de uma doença grave, nosso mundo se abala, perdemos o chão e o “controle” que achávamos que tínhamos (não temos, por mais que você insista que tem). Entramos em contato com nossas sombras e tudo aquilo que tememos e evitamos durante toda a nossa vida.

No entanto, a descoberta de uma doença grave também faz com que sejamos mais sinceros, conosco e com o outro. É difícil mentir, esconder, camuflar… principalmente porque sentimentos dor, medo e outras séries de sentimentos que nos aterrorizam. Pensamos no que perdemos, no que não fizemos e nas mil coisas que ainda temos que fazer. Fingimos ser quem não somos no trabalho, no barzinho, no shopping, mas diante do adoecimento não há como fingir, somos nós, inteiros e reais.

Na pressa de ganhar mais tempo e evitar nosso temido fim, fazemos promessas, barganhamos, nos ludibriamos fingindo que tudo vai ser diferente. Até vai, mas não de uma forma milagrosa e fantasiosa. A verdade sobre quem somos está estampada no nosso rosto, nas nossas lágrimas, na nossa postura. Percebemos quem somos e o que tanto queríamos fazer na vida.

Percebemos quando o outro não está sendo sincero e nos esconde algo. Somos honestos, não há como fingir não sentir dor (considere o conceito de Dor Total), não há como fingir o medo tão vivo em nossos olhos. Percebemos que podemos dizer ‘não’ e que não precisamos nos machucar para agradar o outro.

Talvez seja o momento em que fica perfeitamente claro o quanto devemos respeitar nossos limites e que anular-se nunca valeu à pena. É o momento de reelaborar o sentido da vida, reavaliar nossos arrependimentos e dar significado ao que construímos. E tudo fica claro. É verdade que muitos conseguem chegar a essa honestidade, mas preferem não enfrentá-la e acabam criando um casulo em torno de si mesmo.

A inteireza de entrar em contato com quem realmente somos pode ser iluminador se soubermos construir resiliência diante das nossas sombras.

Suzanne Leal
(psicóloga – CRP 21/01014)
@amplapsicologi
fb.com/amplapsicologia

[Foto: google images]

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