Dos sentimentos que não falamos

Olhar para si pode ser assustador. É mais fácil seguir a vida sem conhecer a si mesmo.

Diante de uma frase dita entre prantos “tenho medo de ficar fria e seca”, foi possível perceber que naquela voz não havia frieza ou vazio. Era apenas uma alma se afundando em angústia por não encontrar outras almas que sentissem como a dela. Uma alma carente que não percebia que era preciso procurar internamente.

Quem tem frieza e secura não se espanta. Quem tem frieza tem medo de encontrar a própria alma e não conseguir suportar os males que nela gritam. Quem é seco não se molha em lágrimas, porque todos nós somos providos de sentimentos, mesmo que nos tenham ensinado o contrário.

Não sabemos lidar com a tristeza, um sentimento tão humano, tão presente em nós, mas que nos amedronta como o fogo. Ao nos sentirmos tristes, desesperadamente buscamos algo que nos faça sair dessa tristeza. Quando vemos alguém triste, desesperadamente pedimos: “não fique triste, isso vai passar”.

Os sentimentos do outros também cutucam a nossa alma e mostram muito do que somos. Principalmente tudo aquilo que não queremos ver. Olhar para si pode ser perturbador, nem todos possuem recursos psíquicos para fazê-lo. É mais simples incomodar-se e afastar-se de tudo àquilo que nos coloca frente a um espelho.

Tão certo é: a tristeza fala sobre nós. Ela fala do que carece nossa alma. Ela nos impulsiona a buscar transformação e a descobrirmos quem somos e o que queremos. Ao invés de tentar se libertar de algo que o incomoda, primeiro descubra o real motivo que tanto o incomoda. Colocar a poeira embaixo do tapete não é a melhor maneira de deixar a casa limpa.

Sentir é algo misterioso. É uma das coisas que não precisam de explicação. Sentimento a gente não explica. A gente só sente e pronto. Apenas o escute. Sinta. Saiba contornar e conhecer cada pedaço da sua alma, desde o mais intensos aos mais calmos, desde os mais escuros até os mais claros.

Se descobrir algo assustador, não tema, não descarte, não feche a porta. Busque o equilíbrio, a libertação. Aprenda a andar de mãos dadas com aquilo que mais lhe aflige. Porque quanto mais se foge, mais o fundo do poço aumenta e escurece. Escute-se. Encare a si mesmo.

Suzanne Leal
@amplapsicologia
Facebook.com/amplapsicologia

[Foto: Google Images]

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