Pelos olhos de Maise

O conturbado conflito entre os pais visto pelos olhos de uma criança.

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Vivemos em uma sociedade em que os divórcios têm sido cada vez mais freqüentes. É comum vermos muitos casais não tolerarem mais um ao outro. Eles se perdem entre si, fazem da parceria uma solidão compartilhada, muitas vezes preenchida por egoísmo, rancor e desrespeito. Mas a questão não são os ataques que conduzem um ao outro, mas o ataque dirigido a quem está no meio desta relação: os filhos.

Para se conviver com um companheiro, é preciso cultivar os sentimentos que nutrem esta relação. Quem termina um relacionamento, sai magoado e é preciso pensar com clareza para não magoar quem não tem culpa por você ter se magoado. E o que menos fazemos quando estamos em meio a uma conturbada confusão emocional, é pensar com clareza.

É deste tema que trata o filme “Pelos olhos de Maisie”, adaptação do livro “What Maisie Knew” de Henry James, que faz a análise de uma família intensamente perturbada. O diferencial é que todo o filme é retratado pelo olhar da pequena Maisie, mostrando como uma criança presencia todo o conflito entre os pais, apesar de não ficar claro os pensamentos e sentimentos da menina.

Maisie está no meio de dois adultos, sua mãe, claramente alguém que não consegue ter um controle emocional, e seu pai, que mantém como único foco de vida, o trabalho. Apesar de não demonstrar alterações de comportamento, Maisie mantém-se com um olhar triste durante todo o filme, principalmente durante o conturbado divórcio dos pais. Estes se mostram imorais e fúteis, e usam
Maisie como escudo para atingirem um ao outro, intensificando a aversão entre os dois.

Apesar de ser uma abordagem agressiva e realista, o filme traz leveza ao mostrar todas as percepções vistas pelo olhar da garota, mostrando como ela interpreta tudo que acontece ao seu redor. Aborda, principalmente, como a criança enxerga as crises nos relacionamentos dos adultos. Mas também fica claro, a pouca importância que os pais dão aos sentimentos da menina.

O filme encerra retratando a menina sozinha, independente, distante da presença dos adultos, mostrando amadurecimento, mesmo diante das violências psicológicas sofridas. Talvez esse filme também seja bom para se discutir o tema “alienação parental”.

Recomendo!

Suzanne Leal
@amplapsicologia
Facebook.com/amplapsicologia

[Fotos: Google Images]

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