A conspiração do silêncio no hospital

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“A negação é usada por quase todos os pacientes, pois, podem considerar a possibilidade de morte durante um tempo, mas precisam deixá-la de lado para lutar pela vida. Paradoxal, porém real”.

(Kübler-Ross, 1998).

O adoecimento pode ser vivenciado de diversas formas, variando de pessoa para pessoa, mas sempre permeado de sofrimento. O estresse vivenciado diante do diagnóstico de uma doença grave traz à tona uma série de conflitos internos e nos coloca diante da nossa própria finitude e fragilidade humana.

Muitos familiareas e profissionais escondem o diagnóstico do paciente como forma de “protegê-lo” e “poupá-lo” do sofrimento. Creem que se o paciente souber do seu diagnóstico, entrará num processo depressivo e morrerá mais rápido.

A conspiração do silêncio geralmente está relacionada ao diagnóstico de uma doença que ameaça a continuidade da vida ou aos cuidados em fim de vida, provavelmente influenciada pela vertente paternalista de que informações potencialmente dolorosas poderiam ser evitadas (Serrão, 2001).

A dificuldade de abordar notícias difíceis, principalmente relacionadas a finitude, é frequente entre profissionais de saúde e familiares. É comum observar o acordo implícito ou explícito, por parte de familiares e/ou profissionais, com relação as informações dadas ao paciente acerca da sua doença.

No entanto, a conspiração priva o paciente de exercer seu direito a autonomia e de obter informações acerca da sua doença. Muitas vezes, pode ser interpretada como desvalorização da sua situação clínica por parte dos profissinais e de sua família.

Apesar da motivação de não comunicar ao paciente sobre seu real quadro clínico ser bem intencionada, pode resultar em elevado grau de ansiedade e medo, além de não permitir ao paciente a oportunidade de reorganizar sua vida, resolver assuntos pendentes, despedir-se, pedir perdão, etc.

É importante ressaltar que também é preciso respeitar a escolha do paciente sobre o que deseja saber ou não.

O psicólogo pode atuar como facilitador na comunicação entre paciente, família e equipe. Para isso é preciso compreender a dinâmica do paciente, da família e da equipe, escutando, observando, acolhendo a dor do outro, que é expressada por palavras ditas e não ditas, pelos ruídos, pelas expressões e pelo silêncio. Este tenta dizer algo que no momento não é possível ser dito em palavras.

Suzanne Leal
Psicóloga
CRP 21/01014
@amplapsicologia
Fb.com/amplapsicologia

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