Comunicação de notícias difíceis

comunicacaodificilCom o desenvolvimento da tecnologia, falar em terminalidade e morte é entrar em contato com os limites e a fragilidade do ser humano. Neste sentido, pacientes, familiares e profissionais da saúde evitam falar sobre o tema, surgindo uma situação conhecida como “conspiração de silêncio”, em que este assunto é evitado a todo custo (ESSLINGER, 2003).

Isto ocorre pelo fato de, em alguns casos, profissionais e familiares, acharem que poderão aumentar o sofrimento do paciente e este entrará num processo depressivo. Por isso, evitam falar sobre terminalidade e morte como forma de “poupar” o paciente (BOTEGA & DALGALARRONDO, 1993).

Desse modo, acaba criando-se um tipo de isolamento emocional: de um lado, o paciente, e do outro, a família, todos com dúvidas, medos e anseios, porém não compartilhados, nem esclarecidos (HENNEZEL, 2001).

É importante ressaltar que os pacientes têm direito de saber sobre sua condição de saúde, no entanto, eles também têm o direito de não querer receber informações a esse respeito. O desejo do paciente precisa ser respeitado e é preciso identificar um familiar ou alguém próximo que possa receber as informações acerca do paciente (KOVÁCS, 1998).

A comunicação de notícias difíceis é uma das dimensões mais penosas para o profissional de saúde. Informar o diagnóstico de uma doença sem possibilidades de cura, a piora irreversível do quadro ou mesmo comunicar a morte para os familiares é algo angustiante e pouco discutido nos cursos de saúde e até mesmo no ambiente de trabalho, utilizando-se muitas vezes da mentira piedosa (OSANAI, 2004).

A comunicação de notícias difíceis deve ser realizada de forma cuidadosa, gradual, prudente e suportável, devendo ser transmitida de acordo com as condições emocionais do paciente. Para isto, é importante compreender os sinais não-verbais do paciente emitidos pelo paciente, pois será possível identificar o estado emocional do doente.

Neste momento, é fundamental atenção, empatia e cuidado em seu comportamento e sinais não-verbais. A postura, a expressão facial, o contato visual, o tom de voz e o toque em mãos, ajudam a demonstrar empatia e oferecer apoio e conforto ao paciente. Este, precisa sentir que existe alguém em quem pode confiar, com a segurança de que será cuidado, por pior que esteja o seu quadro.

Suzanne Leal
Psicóloga
@amplapsicologia
Fb.com/amplapsicologia
Http://amplapsi.com
Referências
BOTEGA, N. J.; DALGALARRONDO, P. (1993). Saúde mental no hospital geral. São Paulo: HUCITEC.
ESSLINGER, I. (2003). O paciente, a família e a equipe de saúde, de quem é a vida afinal? Um estudo acerca do morrer com dignidade [tese]. São Paulo: Instituto de Psicologia USP.
HENNEZEL, M. (2001). Nós não nos despedimos. Lisboa: Editorial Notícias.
KOVÁCS, M. J. (1998). Avaliação da qualidade de vida em pacientes oncológicos em estado avançado da doença. In: Carvalho, M. M. J., organizador. Psico-oncologia no Brasil: resgatando o viver. São Paulo: Summus.
OSANAI, M. H. (2004). Relação médico-paciente em oncologia. CMI Brasil. [Internet]. 15 jul 2004. Disponível: http://bit.ly/2z2hPFc.

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