Tanatologia

“Decidir sobre a própria morte é se apropriar
dela assim como decidir sobre a vida é
se tornar responsável por si mesmo”.
JARAMILLO

A Tanatologia é a ciência que estuda a morte. Thánatos, significa o deus da morte e logos, estudo. Apesar de ser considerada tão antiga quanto à humanidade, o termo Tanatologia só passou a ser mais usado entre profissionais da saúde e de áreas afins na década de 60 com Elizabeth Kubler-Ross, uma psiquiatra suíça, radicada nos Estados Unidos, que realizou trabalhos com pessoas que estavam vivenciando o processo do morrer (KOVÁCS, 2008).

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Trata-se de uma investigação científica sobre a morte e o morrer, considerando o ser humano nas suas relações com os outros, com o meio e consigo mesmo, expondo a condição de transitoriedade do ser humano. Algumas ciências encontraram na tanatologia instrumentos e manejos para sua atuação em situações-limite, de confronto e risco de morte e, principalmente, nos cuidados paliativos (KOVÁCS, 2008).

A Tanatologia abrange um amplo campo de atuação, como os cuidados a pacientes terminais e seus familiares, o processo de humanização dos cuidados paliativos, os processos de luto antes e depois da morte, a compreensão de comportamentos autodestrutivos, como o suicídio, a eutanásia, distanásia, ortotanásia, dentre outros (KOVÁCS, 2008).

No livro “Sobre a morte e o morrer”, Elizanbeth Kübler-Ross afirma que todo paciente com uma doença incurável possui consciência de sua realidade, e descreve o processo de morrer em cinco fases: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação. Estas fases possibilitam compreender as relações interpessoais do paciente, da família e da própria equipe de saúde (KÜBLER-ROSS, 1996).

A Tanatologia possibilita a atuação em situações agudas, que exigem uma resolução rápida, assim como a atuação em uma situação crônica, permitindo uma solução em longo prazo. Auxilia no alívio da ansiedade, raiva, medo, dor, angústia ou desejo de morrer, assim como a melancolia e o pesar pela perda do outro, possibilitando também novas formas de encarar a vida e a morte (KOVÁCS, 2003).

Trata-se de um campo de atuação centrado no cuidado e acompanhamento de pacientes terminais e familiares que estão em processo de luto pela perda de entes queridos, tanto por doenças, como por acidentes inesperados.

Com a morte anunciada, o suporte de um profissional especializado sobre o tema, pode ser útil para o paciente e seus familiares, esclarecendo dúvidas práticas a respeito da realidade vivenciada, na expressão de sentimentos, angústias ou medos, no planejamento e condução da situação atual, na tomada de decisões e resolução de problemas pendentes, possibilitando despedidas necessárias (FONSECA, 2004).

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A tanatologia propõe não somente o cuidado dos sintomas de um paciente em fim de vida, mas também uma aproximação espiritual e uma comunicação interpessoal, respeitando as crenças e valores, tanto do paciente como de seus familiares (KOVÁCS, 2008).

Ressalta-se que a área de atuação da Tanatologia não está restrita a um único profissional. Médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e outros profissionais da saúde podem utilizar esta área como facilitadora da sua prática; óbvio que todos devem buscar aprofundamento teórico e técnico sobre como trabalhar com pessoas em processo de luto (KOVÁCS, 2008).

No geral, o trabalho da tanatologia ocorre nos leitos de hospitais, UTI´s, em unidades de oncologia ou de cuidados paliativos (hospices), também na própria casa do doente, por meio dos cuidados domiciliares (home care).

Apesar de já existirem muitos trabalhos e profissionais que adotam a prática da tanatologia, as ações ainda estão pouco articuladas. Portanto, faz-se necessário uma comunicação e divulgação maior das práticas nessa área, reunindo esforços para que o trabalho desenvolvido seja cada vez mais divulgado, qualificado e integrado.

PARA REFLEXÃO

Paciente M, sexo feminino, 15 anos, leucemia mieloide aguda, em estado grave na UTI. Por complicações do quadro a paciente vem a falecer. A equipe se desespera, referindo não conseguir dar a notícia do óbito para a mãe da paciente. O médico do plantão aciona o psicólogo para dar a notícia do falecimento. Como o psicólogo pode atuar nesta situação? É dever do psicólogo comunicar o óbito?
Ao receber a notícia do óbito, a mãe, em prantos, começa a se machucar, jogando-se contra a parede e, logo em seguida, jogando-se no chão, verbalizando que irá cometer suicídio. Como o psicólogo pode atuar? O que você acha?
Envie sua resposta para amplapsicologia@gmail.com

REFERÊNCIAS
FONSECA, J. P. (2004). Luto Antecipatório. Campinas: Editora Livro Pleno.
KOVÁCS, M. J. (2003). Educação para a morte: temas e reflexões. São Paulo: Casa do Psicólogo.
KOVÁCS, M. J. (2008). Desenvolvimento da Tanatologia: estudos sobre a morte e o morrer. Paidéia.
KÜBLER-ROSS (1996). Sobre a Morte e o Morrer. São Paulo: Martins Fontes.
Fotos: Google Images
[Caso algumas das fotos publicadas tenha propriedade autoral, entre em contato conosco para que possamos removê-la]

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