O luto e a não empatia

“Não fique triste, não chore, isso vai passar”

Essa é a frase mais comum que ouvimos alguém dizer quando alguém está triste.

Sabemos que a dor ameniza, que conseguimos voltar a sorrir e a dar continuidade a vida. Mas para a ferida sarar é preciso doer, sangrar… para superarmos o luto, precisamos vivenciá-lo, viver cada dor, cada lembrança, chorarmos cada lágrima.

lutonaoempatia

De acordo com Sanders (1999) “o luto representa o estado experiencial que a pessoa sofre após tomar consciência da perda, sendo um termo global para descrever o vasto leque de emoções, experiências, mudanças e condições que ocorrem como resultado da perda”.

Cada pessoa tem sua forma de expressar o luto. No entanto, muitas vezes essas expressões são reprimidas pelo outro e pela sociedade como um todo. Sentir tristeza, chorar, não é permitido.

“Você tem que ser forte”.

É assim que se é bombardeado. O choro é engolido, a dor é abafada e o peso da dor se torna insuportável. O luto não vivenciado, não expressado, pode dar espaço para o luto patológico.

De acordo com Klein (1940), o luto patológico é “quando há uma interminável ligação com o objeto perdido, e uma indiferença pela perda, resultado de um abafamento de sentimentos, podendo causar uma psicose grave caso o ego recorra a uma fuga para os objetos internos bons, ou uma neurose caso o ego recorra a uma fuga para objetos externos bons”.

luto

De acordo com Worden (1991) as 4 tarefas essenciais do processo de luto são:

1. aceitar a realidade da perda
2. trabalhar a dor advinda da perda
3. ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente
4. transferir emocionalmente o falecido e prosseguir com a vida

Por fim, o luto trata-se de processo de reconstrução e reorganização após uma perda e é preciso vivenciá-lo para voltarmos a nossos parâmetros normais e darmos seguimento a nossa vida.

É importante estar próximo a família e a aquelas pessoas que sentimos segurança em expressar a nossa dor.

Referências:
KLEIN, Melanie. O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos (1940).
In:______. Amor, culpa e reparação e outros trabalhos (1921-1945). Obras Completas
de Melanie Klein. Vol. I, Rio de Janeiro: Imago, 1996.
Sanders, C. (1999). Grief. The Mourning After: Dealing with Adult Bereavement (2nd ed.).
New York: Jonh Wiley & Sons, Inc..
Worden, J. (1991). Grief Counseling and Grief Therapy. A Handbook for the Mental Health
Practitioner (2nd ed.). London: Routledge.

Suzanne Leal
@amplapsicologia
Fotos: Google Images e Uol

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: