Não devemos nos despedaçar para manter os outros inteiros

Filtrar o que faz parte de nosso mundo interno do que faz parte do mundo interno do outro: tarefa que parece fácil, mas que na prática é bem desafiadora em seu manejo. É muito comum observar essa inabilidade nas relações interpessoais, o que traz confusão e gera sofrimento psíquico, por tomarmos a frente de assuntos e responsabilidades que não são nossas, mas dos outros.

Se quisermos ter saúde mental, uma máxima importante é que não podemos e nem devemos nos despedaçar para manter os outros inteiros. Mesmo que esse outro seja alguém de nossa família, ou muito próximo e que, portanto, faz com que nos preocupemos e queiramos ajudar; no entanto, ao fazermos isso em demasia, acabamos assumindo cargas emocionais alheias. Tudo isso afeta nosso psiquismo, simplesmente porque são conteúdos que não temos como dar conta, eles fazem parte de outro tecido psíquico. Já é tão difícil lidar com nossos conteúdos não é mesmo?

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O fato é que nos encontramos muitas vezes em situação de sofrimento devido a erros e problemas de terceiros. No dia a dia das relações interpessoais às vezes nos envolvemos de forma tão intensa que não nos damos conta de que estamos esquecendo de nós mesmos para dar conta de resolver o que é dos outros. Esquecemos que deve haver uma distância considerável, quase um abismo, entre ajudar o outro e assumir a vida dele.

Acabamos presos em muitas projeções, recebendo conteúdos psíquicos alheios e correspondendo, sobrecarregados, a expectativas e cobranças dos outros sobre nós, talvez por não sabermos dizer não e/ou termos medo de desagradar o outro. Precisamos entender que dizer não ao que não é nosso é dizer sim aos nossos conteúdos internos e, desta forma, estar livre e leve para administrar melhor a nossa vida, sem pesos ou sofrimentos desnecessários.

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Toda essa dinâmica tem como origem explicativa principal o fato de não conhecermos a nós mesmos adequadamente. Quando nos conhecemos em nosso íntimo, sabemos de nossos limites, temos amor próprio e auto- estima, sabemos dizer não aos outros e sim a nós mesmos, reconhecemos as nossas necessidades e sabemos identificar quando algum conteúdo externo está prejudicando nossa dinâmica psíquica e, portanto, nos trazendo sofrimento adicional, pois todos nós já temos nossas questões internas para resolver.

Quando assumimos responsabilidades que não são nossas, ficamos sobrecarregados e isso se torna um peso em nossas vidas, até ao ponto de gerar muitas psicopatologias, como depressão ou ansiedade, por exemplo. Ficamos realmente adoecidos. O caminho então para reverter esse quadro é o autoconhecimento e reforma íntima. A psicoterapia é uma das ferramentas que pode ajudar nesse processo.

Quando entendemos toda essa dinâmica que nos adoece, nossa vida fica mais leve: sem culpa, responsabilidades adicionais e erros dos outros. Podemos ajudar uns aos outros, mas sabendo reconhecer o nosso limite e o limite do outro. Cada um deve dar conta de si, o que não é pouca coisa: cada um de nós é um mundo, cada psique com suas complexidades e particularidades.

 

Erica Fontenele Costa Lima
Psicóloga CRP-11/13317
E-mail: ericafontenele@yahoo.com.br
Imagens: Google Imagens
Instagram: @ericafontenele.psicologa

Um comentário em “Não devemos nos despedaçar para manter os outros inteiros

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  1. Li e gosei muito, e despois vou ler novamente, pois quero tirar algumas dúvidas de mim mesmo. Parabéns Érica Fontenele, sucesso sempre em vida 👏👏👏👏😘😘

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