Por que isso está acontecendo comigo?

Eis uma pergunta constante e corriqueira entre nós humanos, quando nos deparamos com situações na vida que nos desafiam a alma. Choramos, nos angustiamos, nos debatemos e queremos uma explicação para o que nos aconteceu, como se esperássemos que, ao nomearmos a causa de nossa dor e/ou encontrarmos o culpado pelo que nos aconteceu, isso fosse garantia de alívio ou cessação da dor.

Algumas pessoas até encontram alguma forma de refrigério momentâneo ao buscarem a possível causa de seus problemas e lutas; outras, no entanto, mesmo ao saberem o porquê de tudo o que lhes aconteceu não conseguem sossegar, continuam com questionamentos e insatisfações, pois estão focadas em olhar para fora, para o meio externo.

O fato é que sabermos a causa de tudo o que nos acontece não resolve nossas questões e também é algo improvável, desnecessário e desgastante, pois não podemos conhecer e controlar tudo o que acontece à nossa volta. A vida é tecida pelo inesperado e pela incerteza; se tentarmos controlar esse mecanismo, estaremos lutando em vão contra uma força maior, que é a vida e suas nuances. E somos seres limitados; nossa consciência é limitada.

Só podemos conhecer e controlar a nós mesmos, e isso se assim desejarmos e nos empenharmos nesse sentido. Devemos fazer como afirmou o psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961): “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta”. Nosso movimento deve ser para o nosso interior, buscando autoconhecimento e evolução.

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Uma possibilidade, então, seria reformularmos a pergunta: “para que isso está acontecendo comigo?”; esse novo posicionamento nos leva a reflexões importantes e altera nossa posição psíquica, de um estado estagnado para um estado onde somos mobilizados a fazer algo, e não somente a nos questionarmos. Saímos de uma posição passiva para uma posição ativa, como protagonistas de nossas vidas. Tudo isso resulta em bem-estar psíquico e então começamos a encontrar caminhos de alívio.

Quando perguntamos “por quê?”, ficamos na posição de inquiridor, prisioneiro e de vítima, e então sofremos, pois nos revestimos de tristezas e revoltas. Quando perguntamos “para quê?”, ficamos na posição de aprendiz, e então com essa humildade podemos crescer e evoluir, pois estaremos abertos a aprender e a ressignificar tudo o que nos acontece na vida. Dessa forma, poderemos encontrar uma possibilidade de fluidez, aceitação, gratidão e paz.

Nessa nova perspectiva passamos a fazer reflexões do tipo: “o que tenho que aprender?”, “o que posso fazer para dar um novo significado a tudo isso?”, “que novas atitudes posso desenvolver?”. Essas são perguntas que mobilizam nosso ser a um crescimento, pois dizem respeito a nós mesmos e não a algo que está lá fora e que não podemos controlar.

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Nada na vida acontece de forma aleatória, as situações e as pessoas com as quais nos deparamos estão sempre a nos trazer um aprendizado. Para que possamos usufruir desse aprendizado precisamos nos permitir a conhecer novos caminhos, desenvolver novas atitudes e formas de pensar. Resumindo: precisamos reconhecer nossa condição de eterno aprendiz e permitir que a vida nos ensine o que precisamos aprender. Essa é a posição de humildade enquanto seres humanos que somos: não somos soberanos, não estamos prontos, mas inacabados. Precisamos evoluir e muito.

Se resistirmos a esse aprendizado, a vida sempre repetirá essas lições, até que as aprendamos e possamos seguir em frente. Por isso que ficar na posição de controle, de vítima e de inquiridor atrasa nosso crescimento enquanto seres humanos, pois ficamos prisioneiros de nós mesmos, de nossos pensamentos e atitudes paralisantes. Nossa atitude diante de alguma situação difícil deve ser a de observar e refletir sobre esse algo que nos machuca e de procurar compreender o que a vida está tentando nos ensinar.

 

Erica Fontenele Costa Lima
Psicóloga CRP-11/13317
E-mail: ericafontenele@yahoo.com.br
Imagens: Google Imagens

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