Carta aberta a você que está buscando por uma psicoterapia

Sempre me deparo com a angústia de alguns sujeitos em escolher ou não pela
psicoterapia, então, além do sofrimento concomitante ao desejo ou necessidade de buscar
ajuda de um profissional, falando desse sofrimento para alguém, nascem outras angústias:
a psicoterapia pode mesmo me auxiliar? Como ou porquê escolher a psicoterapia e não
outro método terapêutico? Por esta razão nasce o desejo de lhe escrever algumas poucas
palavras sobre psicoterapia.

De forma geral, todos os inícios e “primeiros passos” não são fáceis, demandam
energia, disposição, vontade. A escolha, seja ela qual for, traz consigo uma grande
responsabilidade, e escolher iniciar uma psicoterapia não deixa de ter as suas, alias, tem
muitas, e consigo mesmo.

A psicoterapia é um processo conversacional, o que significa que o seu grande
ponto de partida é a fala. Falar sobre nossos sentimentos, nossas emoções e vivências,
nem sempre é algo fácil. Não é fácil falar das nossas “coisas estranhas” a alguém que em
um primeiro momento parece um completo estranho para nós, mas, que de maneira
singular vai adentrando o campo do cuidado pela escuta, pelo olhar.



As palavras nos levam a pisar em terras imprevisíveis! Então saiba, o ponto de
chegada de uma terapia a primeira vista é imprevisível. No entanto, nem só de fala vive a
psicoterapia, mas, de escuta também, e não é apenas o terapeuta que escuta, você
também irá escutar, e escutar coisas completamente estranhas vindas de si mesmo.

Escutar se torna uma tarefa ainda mais difícil quando o assunto é a própria dor, mas Rubem
Alves é muito claro: “A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta
bonito. A fala só é bonita quando nasce de uma longa e silenciosa escuta. é na escuta que
o amor começa. É na não-escuta que o amor termina”. Frase válida para psicólogos, para
seres falantes em geral, frase válida para pensar a escuta de si mesmo neste processo de
escolha. Se escutar pode ser um ato de amor próprio.

Então, questione-se: Estou pronto para me ouvir?

Psicoterapia é sobre cuidado, e cuidar vai muito além de qualquer teoria, significa
consideração, interesse, atenção, solicitude, zelo, preocupação… O cuidado existe no
encontro humano, em todas as palavras e em todos os outros meios pelos quais o homem
entra em contato com um outro homem. A psicoterapia é uma forma de entrar em contato
com esse cuidado, é cuidar de si. É pela fala e pela escuta que nasce a busca pela
reconciliação com sua própria história, e acredite, isso não é tão fácil e poético quanto
minhas palavras.

Seja crítico. Pondere. Avalie. Você não é obrigado a permanecer em um processo
ou em uma relação quando sente que ela não te faz bem, e isso também vale para a
psicoterapia, você é um sujeito livre para tomar suas próprias decisões. Avalie o profissional
para quem você destina suas palavras, esteja ciente sobre sua formação, sobre sua ética,
sobre seu desejo de escuta e sobre a empatia que ele direciona a você. E caso você já
esteja em terapia, nunca deixe de avaliar o seu processo terapêutico, questione, argumente,
isso realmente faz sentido para você?

A psicoterapia não é uma receita pronta sobre como viver. Não é um remédio em
que a dor some em dois dias, nem, tampouco, um compilado de opiniões “terapêuticas”
sobre o que você “deve” fazer ou sobre “como” fazer, e se o seu terapeuta tem todas as
respostas desconfie ou peça emprestada a bola de cristal que ele tem usado para prever o
futuro, assim você mesmo pode começar a olhar para ela. Se você busca por respostas
prontas, não é na psicoterapia que você irá encontrá-las.

A psicoterapia é um processo conversacional no qual você faz parte! E acredite,
você sabe muito sobre você mesmo, você é o Sujeito deste processo. A psicoterapia é um
encontro, consigo e com um outro onde novos sentidos são construídos, você está apto
para começar a construir novas possibilidades neste encontro com o outro?

Se você chegou até aqui, continue ponderando. Até que ponto você se sente bem
em iniciar este processo? O que você busca com uma Psicoterapia? Qual é a angústia que
te levou a procurar ajuda?

Este texto também não busca lhe dar todas as respostas, afinal, na vida não há
apenas um caminho a seguir, há muitas formas de se chegar a psicoterapia, às vezes por
recomendação de alguém, por um “achado” na internet, por simpatizar por algum
profissional, etc., e nenhum destes caminhos é errado. Também há muitas formas de narrar
nosso sofrimento, de permanecer em terapia, de “dar um tempo” dela, e sim, todas as
possibilidades são verdadeiras dentro da sua história de vida.

O que quero deixar de fundamental é: Se falar é uma questão para você, procure um
psicólogo.

Bárbara Dalvanna de Souza Isidoro
Psicóloga CRP 08/31096 – Mestranda em psicologia UEM
Atendimento presencial em Maringá e Online.

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