Cuidado quando a crítica vem disfarçada de apoio

                “Ouço mil palavras gentis ao meu respeito e não faz nenhuma diferença, mas ouço só um insulto e toda minha confiança se despedaça” (Rupi Kaur)

Já esteve próximo ou se relacionou (qualquer tipo de relação: amizade, namoro, casamento, pais e filhos, etc) com alguém que avidamente reproduz palavras duras e cruéis, mas disfarçadas de apoio?

                É comum frases como “eu digo isso porque apóio você”, “falo isso porque me preocupo” ou “estou sendo duro(a) porque quero o seu bem”

                — Lembre-se que os sentimentos podem ser ditos e expressados de inúmeras formas — o comportamento abusivo muitas vezes vem disfarçada de uma voz doce e um comportamento bondoso.

                É comum confundir afeto com dependência (de amor, de atenção, de carinho). E as críticas disfarças de apoio servem para minar a autoestima do outro, afirmar-se como superior e implicitamente dizer “eu estou certo e você está errado” ou ainda mais “você precisa de mim pra viver”… e por aí vai!

                O outro, com a autoestima já baixa ou sensibilizado, fica confuso, inseguro, sofre, angustia-se, não só por ouvir palavras cruéis, mas por acreditar que é realmente tudo o que ouviu. E começa um processo de auto sabotagem “eu não mereço”, “eu não consigo”, “eu sou uma pessoa ruim mesmo”.

                A pessoa se imobiliza e entra num processo de estagnação emocional, presa em suas próprias crenças disfuncionais. O sensibilizado torna-se uma vítima fácil e por crer que a atitude do outro é realmente um ato de bondade e que o erro está sempre em si, se perde no outro, alimentando as próprias neuroses e uma negatividade que adoece a alma.

                Compreendo que quando a pessoa mais sensibilizada entra nesse ciclo de abuso emocional, é difícil sair, é difícil enxergar. Nem sempre consegue sozinha e precisa de ajuda. O comportamento depreciativo de si mesmo já é um pedido de ajuda.

                O primeiro passo é trabalhar a autoestima, a autononima e as dificuldades de enfrentamento em situações como essa. Impor limites, reavaliar o modo como encaramos o que nos é dito. O passo para o crescimento e para a mudança está em si mesmo. Não é uma tarefa fácil, é árduo, leva tempo… mas é libertador!

                É preciso enxergar com clareza a própria alma, conhecer bem a si mesmo, as próprias sombras que nos afligem; assim como também reconhecer nossos pontos positivos, que devem ser valorados e sempre melhorados e reconhecidos.

                Conhecendo a si mesmo, construindo seu próprio caminho, a palavra cruel disfarçada de bondade não será mais desestabilizadora. Você saberá separar o que é seu e o que é do outro.

Suzanne Leal
@slilustracoes
@amplapsicologia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s